27 de mai. de 2006

Entrevista do Junior para a " Veja. Sao Paulo"

Para sorte dele, o mullet e a calça de cintura alta ficaram para trás. Para sorte do público, as musiquinhas grudentas e infantis sumiram do repertório. Com uma carreira-solo paralela (ele toca bateria na banda Soul Funk), Junior Lima assina a co-produção do CD que acaba de lançar com a irmã, Sandy. Depois de vender com ela 13 milhões de discos, o moço manda um recado para os que dizem não suportar ouvir Sandy & Junior: "É preconceito".



Alguma coisa que você usou no passado lhe causa arrepios?

Praticamente tudo. Os cabelos que tive foram criminosos...



Quem escolhia os penteados?

Eu mesmo. Não posso nem culpar ninguém!



Você é vaidoso?

Se tivesse opção, seria bem mais desencanado. Mas, por causa do trabalho, preciso ter um mínimo de vaidade. Uso secador para o cabelo não ficar muito zoado e passo corretivo nas olheiras. Se não fizer isso, minha irmã briga comigo. Na verdade, eu obedeço, não faço por vontade própria. (Alguns minutos depois, Sandy chegou ao local onde Junior dava esta entrevista e queixou-se das olheiras do irmão.)



Faz academia?

Já tive fase de malhar mais. Agora vou uma vez por semana. Meu personal quer me matar. Não é a minha onda... Sou mais preocupado com a música do que com o corpo e a imagem. E eu suo muito tocando bateria.



Sua namorada dá palpites nas suas roupas? (Junior namora a produtora de moda Julia Faria.)

Como sei que ela manja, peço para escolher para mim. Meu estilo é bem básico: calça jeans, tênis e uma camiseta temática, com uma foto legal ou uma frase. Agora estou gostando de usar o capuz para fora do casaco. Mas não fico me preocupando com detalhezinhos.



O mais legal de ser famoso é...

Ganhar coisas, ingressos para shows... E também ser independente na hora de fazer seu som.



E o pior?

Ficar todo mundo em cima, querendo saber da sua vida, do namoro... Eu sou um cara que não gosta de palpite.



Ainda há quem chame você de gay?

Isso não rola há um tempo. Antes de eu começar a namorar, estavam me chamando de galinha, o que eu também não gostava.



As críticas abalam sua auto-estima?

Para falar a verdade, já não tenho muita... Sou meio encanado comigo. Acho que eu mesmo abalo minha auto-estima, não a mídia.



O que você está ouvindo?

Estou numa fase saudosista. Tenho ouvido Elis Regina, Tom Jobim, Tom Zé...



Você gosta de Sandy & Junior?

Claro! Quer dizer, de algumas coisas do passado, não. Mas estou enlouquecido pelo CD novo. E tenho certeza de que, se as pessoas ouvissem sem saber que é Sandy & Junior, iriam gostar. O cara vai me ver tocar e gosta, vai ver a Sandy cantar jazz e sai falando que ela canta pra caramba... Por que não gosta de Sandy & Junior? É preconceito.



E a cidade de São Paulo?

Sou apaixonado! Passo metade da semana aqui, no meu apartamentinho de 42 metros quadrados. São Paulo tem um monte de baladas boas, restaurantes... Quando quero tranqüilidade, fico em Campinas. Quando quero bagunça, venho para cá.



Freqüenta restaurantes chiques?

Pelo amor de Deus! Eu vou a barzinhos, lanchonetes, restaurantes de galera. Não sou desse clima chique, não. A gente nem fala que vai comer, fala "vamos rangar". O que você seria, se não fosse músico?

Mendigo. Eu não sei fazer mais nada, então seria pedinte.