11 de set. de 2009

Conto sobre a Sandy do livro Inverdades, do André Sant'Anna

She’s leaving home
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Papai, Mamãe...

Me desculpem, mas quando lerem esta carta, já estarei voando para longe. Sei que não estou sendo justa com vocês, que vão ficar aí, segurando a barra dos contratos, explicando o meu sumiço para a imprensa... O pessoal vai ficar em cima de vocês. Então, vou tentar explicar esta minha decisão. Espero que a compreendam. Mas o fato é que conheci uma pessoa que tem me ensinado muito. Não se preocupem. Embora “ele” tenha um jeito meio doidinho, meio rebelde, ele não é nenhum maluco drogado, nem um aproveitador. É um cara muito legal, bem-sucedido, famoso no mundo inteiro. Não sei quanto tempo vamos conseguir esconder o romance e esta mudança na minha vida. Só sei que vamos tentar desaparecer por alguns anos, nem que para isso eu tenha que fazer uma plástica. O mais difícil vai ser “ele”. Os jornais sensacionalistas vão fazer de tudo para descobrir onde “ele” está. Como eu disse, ele é uma estrela internacional. Bom... mas o que eu queria dizer é que “ele” me mostrou um outro lado da vida. Só eu sei o quanto vocês, Papai e Mamãe, foram importantes até aqui. Devo a vocês, meus queridos, tudo o que conquistei até hoje, todo o privilégio de poder crescer com responsabilidade, em um ambiente repleto de amor por todos os lados. Isso sem falar nas aulas de música, de dança e tudo o mais que fez de mim uma artista com recursos para exercer o máximo do meu potencial. Nunca vou esquecer dos conselhos que você, Mamãe, me deu a respeito de sexo naquelas nossas conversas de mãe para filha. Agora, finalmente descobri que sexo é uma coisa maravilhosa. E, Papai, também vou me lembrar sempre do quanto você me alertou sobre as drogas, embora hoje eu ache que fumar um baseado de vez em quando não seja tão horrível assim. Tenham a certeza de que jamais vou decepcioná-los. Sei que agora deve estar sendo difícil aceitar tudo isso, mas quando eu voltar (e eu vou voltar), vocês vão ver que a minha decisão foi a mais acertada. Não agüentava mais as fofocas das revistas, ser chamada de brega por todo mundo. Embora eu ainda seja nova em idade, tenho experiência suficiente para decidir sobre a minha carreira, sobre o que devo cantar ou não, que roupas devo vestir e quem devo namorar. E já faz algum tempo que tenho vontade de mudar de estilo, de fazer música de verdade, experimentar um caminho menos comercial, com mais arte. Tenho ouvido coisas diferentes que estão fazendo a minha cabeça e devo tudo isso a “ele”. Já não tenho muito tempo para escrever. Estou aqui em Rondonópolis, o dia está amanhecendo e daqui a pouco o jatinho que “ele” reservou para mim estará no aeroporto aqui perto. Vou colocar esta carta debaixo da porta do quarto do Junior e ele a leva para vocês. Aliás, prestem mais atenção no Junior. Acho que ele também poderia voar mais alto. Ele tem muito talento, gosta mesmo é de tocar bateria e poderia estar numa outra, fazendo outro tipo de música. Infelizmente, vou ter que deixá-lo sozinho, mas eu sei que ele vai se virar bem. Até algum dia.

Beijos, com muito amor,

Sandy

Fonte: Blog Pesa-Nervos