20 de fev. de 2004

ISTO É GENTE: Acquária



Por Mariane Morisawa

Roteiro fraco desperdiça bom tema em filme de produção impecável estrelado por Sandy e Junior
A cantora Sandy em Acquária: equipe competente reunida para contar a história do planeta Terra devastado e sem água
O interesse de uma dupla musical de sucesso como Sandy e Junior em fazer um filme já mostra a força readquirida pelo cinema brasileiro. Melhor ainda se esse interesse, que obviamente visa o êxito comercial, for acompanhado de cuidados raros nesse tipo de empreitada, algo que não se vê, por exemplo, em filmes da Xuxa ou dos Trapalhões.
Essa é a principal qualidade de Acquária, estréia da diretora de publicidade Flavia Moraes nos longas-metragens, estrelada por D.L. Junior e Sandy Léah. Na equipe está gente como o diretor de fotografia Lauro Escorel (Brincando nos Campos do Senhor) e o diretor de arte Tulé Peake (Cidade de Deus), além da produtora-executiva Elisa Tolomelli (Central do Brasil).
Visualmente, Acquária chegou lá. A produção realmente impressiona, dos cenários aos figurinos, passando pelos efeitos especiais. É uma qualidade raramente vista em filmes de aventura brasileiros. Dá para imaginar o que o longa-metragem poderia ser, se tivesse um roteiro bom. O tema ecológico, em princípio interessante, acabou desperdiçado. Num planeta devastado e sem água, Junior é Kim, um garoto que perdeu os pais e vive com os amigos Gaspar (Emílio Orciollo Neto) e Guili (Igor Rudolf) numa cidade abandonada. Sarah (Sandy) passa a morar com eles depois de ser salva da morte no deserto.
O problema é que a história não anda, não existem conflitos nem tensões. O mistério da origem de Sarah-Sandy é o único que há, e na verdade não é mistério nenhum. Junior ainda consegue provocar simpatia, apesar de aparecer pouco. Brilham a cachorrinha Wind, que faz Mingus, e o garotinho Igor Rudolf. Ficou no quase. Tentativa válida