20 de fev. de 2004

Críticas: CINECLICK ACQUARIA



Por Roberto Guerra 

Poucos duvidavam que mais cedo ou mais tarde a dupla Sandy e Júnior lançaria um longa-metragem. Era apenas uma questão de tempo para que os irmãos cantores ganhassem as telas do País, principalmente depois do sucesso alcançado pelo seriado televisivo protagonizado por eles nas tardes de domingo na Globo. O que talvez ninguém imaginasse é que o cacife da dupla estivesse valorizado a ponto de justificar uma superprodução de R$ 10 milhões.
Este é o polpudo orçamento da ficção-científica Acquaria, que estréia em 300 salas do País na sexta-feira 12. Além do generoso investimento, o longa dirigido por Flávia Moraes - egressa da publicidade e estreante em longa-metragem - traz uma bem-vinda surpresa: está longe de se parecer com uma dessas bobagens protagonizadas por Xuxa, por exemplo. O filme tem enredo justificável e é tecnicamente impecável.
Com mote ecologicamente correto, Acquaria tem efeitos digitais de ótima qualidade, fotografia excepcional e direção de arte pra lá de competente. Conta a história de Gaspar (Emílio Orciollo Netto, que faz sua estréia nos cinemas), Kim (Júnior) e do menino Guili (o ótimo Igor Rudolf). Eles vivem num lugar isolado e desértico, depois que o mundo foi destruído por inúmeras guerras na disputa por água potável. Um dia, surge no lugar a desconhecida e misteriosa Sarah (Sandy), que se integra ao grupo, sem que eles desconfiem que ela guarda um importante segredo. Completam o elenco Alexandre Borges, Julia Lemmertz, Milton Gonçalves e Serafim Gonzalez.
Sandy e Júnior, por opção própria, queriam um filme no qual não interpretassem si mesmos. A decisão foi acertada. Apesar de não faltarem números musicais em Acquaria, eles estão inseridos no contexto da trama e não soam falsos. O grande problema talvez esteja no roteiro, principalmente por se tratar de um filme direcionado para o público infanto-juvenil. Em Acquaria faltam as conhecidos pontos de virada do paradigma de Syd Field, ou seja, aquelas famosas mudanças no rumo da história responsáveis por manter a atenção do espectador. No início se faz uma boa apresentação dos personagens chaves e do enredo da história, mas depois a trama segue em banho-maria até o final. Da metade do filme em diante, fica-se com aquela sensação de que algo vai acontecer, mas nada acontece.
Contestações às técnicas de Syd Field à parte, é sabido que elas funcionam e, no caso de um filme de apelo popular e direcionado ao público jovem, tê-las ignorado pode ter sido um erro.